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Você sabe o que é Comunicação Não-Violenta (CNV)?

Sabe quando nós acabamos nos envolvendo em conflitos que abalam a nossa relação com amigos, parentes e até mesmo com colegas de trabalho? Ou pode ser que você tenha encontrado dificuldade em gerar conexão e desenvolver um relacionamento saudável com algumas pessoas que são particularmente desafiadoras?

 A Comunicação Não-Violenta (ou CNV) atua justamente como um processo que permite um melhor entendimento das nossas próprias necessidades e das necessidades de todas as outras pessoas com as quais nós convivemos.

A CNV nos ajuda a ouvir e se expressar de forma mais consciente e menos automática e reativa. Além disso, conseguir promover conexão e se comunicar com mais clareza e honestidade, sem deixar de lado o respeito e a empatia.

Essa abordagem permite identificar comportamentos e ações que nos afetam negativamente e, a partir disso, conseguir articular a lidar com situações desafiadoras e difíceis com mais simplicidade e com um enorme potencial de transformar relações conflituosas em pessoas mais conectadas e compassivas.

Um ser humano se permitindo ser apenas humano

Conforme afirma o próprio criador da CNV, o psicólogo Marshall Rosenberg, A Comunicação Não-Violenta não tem nada de novo, ainda segundo Rosenberg, os aspectos que envolvem a CNV são antigos conhecidos e estão presentes há séculos.

Portanto, a ideia é que possamos lembrar de todas as coisas que já sabemos sobre nos relacionarmos com outros seres humanos de uma forma mais saudável, e ter condições de colocar esse conhecimento em prática de maneira concreta.

Aos poucos, a CNV permite perceber padrões de comportamentos que são baseados defesa, recuo ou ataque quando somos julgados e criticados, mas também ajuda a entender quais são as nossas intenções e necessidades, sem deixar de observar e tomar consciência dos mesmos aspectos das outras pessoas com as quais nos relacionamos.

Essa aproximação faz com que as reações agressivas e violentas sejam minimizadas, dando a oportunidade de promover a atenção, a empatia e o respeito.

“Embora eu me refira à CNV como “processo de comunicação” ou “linguagem da compaixão”, ela é mais que processo ou linguagem. Num nível mais profundo, ela é um lembrete permanente para mantermos nossa atenção concentrada lá onde é mais provável acharmos o que procuramos.” – Trecho retirado do livro “Comunicação Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

Elementos da CNV

A CNV tem quatro componentes principais:

  1. Observação

  2. Sentimento

  3. Necessidades

  4. Pedido

Observação

O primeiro passo é observar de forma muito consciente o que de fato está acontecendo na situação em questão e, se perguntar se o que está sendo dito ou feito é realmente enriquecedor para nossa vida?

O importante é poder fazer essa observação de forma sincera e sem julgamentos ou avaliações, expondo aquilo que lhe agrada ou não em relação ao que as pessoas estão fazendo.

Sentimentos

O próximo passo é identificar quais são os sentimentos ou como nos sentimos quando observamos aquela ação ou situação, por exemplo: triste, feliz, assustado, magoado, irritado, alegre, etc.

Necessidades

Depois de observar e identificar os sentimentos, percebemos quais são as nossas necessidades ligadas aos sentimentos.

Pedido

Por fim, expressamos os três aspectos observados a outra pessoa, seguida de um pedido bem específico em relação a situação em questão que poderá enriquecer nossa vida.

Outros aspectos importantes

Apesar dos conhecidos 4 passos ou aspectos mencionados acima, a CNV vai muito além disso e guarda outros aspectos fundamentais para superar conflitos com clareza, empatia e compaixão.

Julgamentos moralizadores

Algo que pode prejudicar muito as nossas comunicações e relacionamentos são os julgamentos moralizadores. Esse aspecto de julgamento acaba sendo altamente tóxico e tem uma tendência de nos levar considerar como erradas ou malignas as pessoas que agem ou se comportam de maneira diferente do que esperamos ou valorizamos.

Algumas frases como “Você é egoísta”, “Ela é ignorante”, “Ele é falso”, “Isso é impróprio”, são formas de julgamentos, em resumo, a culpa, o insulto, a crítica e outros estão classificados na mesma categoria.

Juízos de valor x julgamentos

Os juízos de valor são aqueles que fazemos em relação às qualidades que admiramos; por exemplo, gostamos de bondade, liberdade, justiça. Já os julgamentos moralizadores são aqueles direcionados a pessoas e seus comportamentos quando eles vão na contramão de nossos juízos de valor.

Um outro exemplo do livro de Rosenberg que deixa isso claro é o trecho a seguir:

“A violência é ruim; pessoas que matam outras pessoas são más.” Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse exprimir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas necessidades e nossos valores, em vez de insinuarmos que algo é ou está errado quando eles não são atendidos.

Por exemplo, em vez de “A violência é ruim”, poderíamos dizer: “Tenho medo do uso da violência para resolver conflitos; valorizo a resolução de conflitos por outros meios.” – Trecho retirado do livro “Comunicação Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

Atribuir a causa do conflito ao fato das outras pessoas estarem erradas é normalmente o cerne ou grande parte do motivo da violência nas mais diversas esferas, como familiar, profissional, política ou religiosa.

Dominação

Socialmente nós estruturamos nosso convívio, em muitos aspectos, a partir de um olhar em que as pessoas que se diziam superiores dominavam as outras, baseado nas mais diversas alegações, como estar mais perto de Deus, pertencer a uma família real ou qualquer outro motivo para justificar essa abordagem.

O problema é que isso exige uma linguagem de dominação e classificação das outras pessoas. Sustentando um olhar de certo e errado, pessoas que são boas e pessoas que são más, melhores ou piores, e por aí vai.

Essa atitude também precisa do uso da força como meio de manter a dominação e alguns exemplos são a punição, recompensa, culpa, vergonha. Elementos que tornam nossas relações mais difíceis, complicadas e desafiadoras.

Conclusão

A CNV é um convite para olharmos para nós e para os outros com mais carinho, empatia e compreensão. Desta forma, é possível melhorar a qualidade de nossas relações de maneira coerente e responsável, buscando um equilíbrio saudável em nossas relações, sejam elas da natureza que forem.

Algumas opções para você conhecer mais sobre Comunicação Não Violenta

Livro: Comunicação Nâo-Violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – Marshall B. Rosenberg – Editora: Ágora

Instituto CNV Brasil – https://www.institutocnvb.com.br/

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